EDIÇÃO #97 • 20/10/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper!

Na seção “Campanhas que eu gostaria de ter criado” da semana: a Ramp simplesmente montou uma rampa de skate em Wall Street e ainda colocou o Tony Hawk pra estrelar a campanha "Tony Hawk Pro Trader” - apelando pra nostalgia dos games e pro dinamismo da nova geração de traders, genial!

No MarketingDrops de hoje:

  • Black Friday. Expectativas para a data.

  • Hype ou Trend: Anti-scroll

  • Influencers: virou jogo de volume

  • Branding e IA: luxo em baixa, B2B em alta

BLACK FRIDAY

A sexta-feira mais temida do ano

TL;DR: A Black Friday deve crescer de novo, mas o consumidor chega com menos fidelidade, menos paciência e mais calculadora.

Black Friday é tempo de faturamento recorde no varejo brasileiro, mas nos times de mkt nem a Katy Perry canta “Thank God It's Friday” em novembro. O lado bom é que todo caos passa mais fácil se você souber o que esperar e a gente foi ver como os relatórios podem ajudar nessa.

Mais tickets, tickets menores…

A Neotrust projeta alta de 20,7% na receita, mas com muita diluição e cada compra valendo menos. De janeiro a setembro, os pedidos cresceram 34,9%, e o ticket médio caiu 13,4%. Avisa o CFO: não é porque tem mais dinheiro rodando que sua marca vai faturar mais.

O preço é o que interessa…

Pra 75% dos consumidores, a etiqueta de preço é o fator mais importante na hora de escolher um produto. Comprar numa “loja que já conheço” despencou de 20% para 6%, e a indicação de alguém de confiança caiu de 7% para 2%.

Polarização também na Black Friday…

O consumidor se dividiu em times. É o que mostra a comparação entre as duas edições da Opinion Box:

🔷 Os planejadores dobraram: quem decide com mais de 3 meses de antecedência foi de 11% para 22%.
🔷 Os de última hora cresceram: quem decide na semana ou no próprio dia foi de 19% para 30%.
🔷 O meio contraiu: quem decide no mês ou nas semanas anteriores caiu de 41% para 28%.

Ou você começou a gerar desejo muito tempo atrás, ou vai virar estatística.

Vai devagar nas mensagens…

O e-mail ainda é o canal favorito para receber ofertas, citado por 53% na pesquisa da Opinion Box. O WhatsApp vem logo atrás, com 46%.

Mas a paciência acabou. Quem não quer receber nenhuma oferta saltou de 11% para 23% no e-mail, de 19% para 29% no WhatsApp e de 39% para 44% no SMS. Na Black Friday, 48% dizem receber mais mensagens que não interessam.

Receita mais que orgânica: quem volta a comprar quase sempre volta sozinho - 55% por conta própria, só 24% por causa de uma mensagem da marca.

HYPE OU TREND

Anti-scroll: dar rolê ou rolar o feed?

20 anos atrás, a MTV Brasil disse "Desligue a televisão e vá ler um livro". Agora é o Pinterest que quer te tirar do celular e lançou o “Design the Exit”, um playbook que pede às marcas para não prender ninguém no feed e “devolver as pessoas para a vida delas”. A pergunta é se alguém está mesmo largando.

O discurso vs. o dedão:

🔷 63% da Gen Z se desconecta de propósito. 40% preferiam que as redes nem existissem.
🔷 No Pinterest, buscas por “o que fazer em vez de rolar o feed” subiram 365%.
🔷 Mas o brasileiro passa 29h por semana em redes, contra 18h36 da média global.
🔷 O tempo global em redes parou de subir. Parou, mas não caiu.
🔷 Em compensação, os clubes de corrida no Strava cresceram 3,5x em 2025.

A vontade de dar um descanso pro polegar é grande, mas a cabeça ainda pede por mais e mais dopamina. A dependência é tão real que virou questão de saúde pública e a lei tenta acompanhar: 92% das escolas brasileiras já restringem o celular e o ECA Digital está valendo.

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A JORNADA DO BRAIN-ROT

1971, Herbert Simon: cunha a lógica da economia da atenção. Informação demais gera pobreza de atenção.

2006, Aza Raskin: inventa o scroll infinito. Anos depois, se arrepende publicamente.

2013, Tristan Harris: ainda no Google, inicia o movimento “Time Well Spent” contra o design viciante.

2019, Cal Newport: lança “Digital Minimalism” e populariza o detox digital.

2024, Jonathan Haidt: “A Geração Ansiosa” liga smartphone à crise de saúde mental adolescente e acelera as proibições em escolas.

DATA DROPS
79%
dos droppers acreditam que influenciadores falsos vão ser cada vez mais comuns.

Com base na enquete da última edição.

SOCIAL MEDIA

Spam de ring light

TL;DR: Só 14% dos creators que recebem produto no TikTok Shop geram alguma venda. Quem posta 20 vídeos ou mais vende 10x mais por vídeo.

Lembra dos blogs entupidos de link de afiliados? Eles voltaram, mas agora em vídeo, com ring light e dentro do TikTok. Nos EUA, o TikTok Shop chegou quase dois anos antes do Brasil, então lá já dá para ver como o jogo termina e o que podemos esperar por aqui.

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Um relatório da Flywheel (da Omnicom, que vende justamente esse serviço) analisou o que aconteceu com 1,5 milhão de produtos enviados a creators americanos.

Os números do relatório:

🔷 De cada 100 creators que recebem amostra, 47 postam e só 14 vendem.
🔷 Um vídeo isolado vende US$ 7,19. Quem posta 20 ou mais vende US$ 74,07.
🔷 Creator de 10 a 100 mil seguidores vende 21x mais por seguidor que um de 500 mil. No total, porém, o grande ainda vende mais.

O CEO da Flywheel, Deren Baker, resume sem rodeio: “É literalmente o mesmo esquema de afiliado de sempre”. A diferença é que em vez de um blog e muito SEO, o rolê agora é colocar a cara para jogo e criar volume - e quem tem base sai na vantagem.

Do outro lado, a ANA, associação dos maiores anunciantes dos EUA, aponta o problema: para dois terços dos anunciantes, medir o resultado é o maior desafio com creators. Ou seja: todo mundo quer volume, mas ainda não entende como analisar o que vem depois.

DROPPED BY MEMO

94% não confiam em descontos

Desconto agressivo chama atenção. Mas se o consumidor não acreditar nele, a oferta já começa perdendo. Boas avaliações e reputação ajudam a convencer. O que decide é se a operação sustenta o que a comunicação promete.

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No playbook “Black Friday 2026: o teste da verdade”, a MEMO reúne os principais insights das Blacks anteriores e ferramentas práticas para avaliar oferta, jornada, comunicação e prontidão. Porque desconto é só uma variável da oferta, não pode ser a estratégia completa.

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GIRO DE NOTÍCIAS


→ Google promete, de novo, criar campanha só no chat: você fala e a IA faz o resto.

→ Google Ads deixa escolher quais canais recebem verba primeiro e limitar o resto.

→ Substack lança três formatos de patrocínio: a marca paga um mês de assinatura, libera um post pago ou monta uma revista temática.

→ Meta proíbe anúncios do TikTok e até de marcas que linkam para lá. No Brasil ainda pode.

→ Meta permite campanhas com alcance garantido em até 24h e testa leiloar o primeiro anúncio do feed. O horário nobre chegou ao scroll.

→ OOH Brasil chega a Brasília, Goiânia e Campo Grande.

COMPORTAMENTO

O algoritmo tem marca favorita

TL;DR: Depois de dez anos caindo, o peso da marca na decisão de compra voltou a subir, e a IA está ajudando.

Por uma década, o curto-prazismo ganhou todas as discussões. Performance tinha dashboard, marca tinha “percepção”. A reunião de orçamento acabava sempre igual: corta o institucional e põe no Meta.

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Agora a Interbrand, com a Paradigm Sample, mediu o que acontece quando o consumidor precisa escolher de verdade entre ofertas com marca, preço e features diferentes. Foram mais de 5.500 avaliações em cinco mercados - incluindo o Brasil, mas o dado é global.

O peso da marca na decisão de compra foi de 37% em 2019 → 34% no fundo do poço → 35% agora. É pouco, mas é a primeira vez em dez anos que a curva vira para cima.

  • Onde mais subiu: serviços B2B (+35%) e serviços financeiros (+21%).

  • Onde mais caiu: luxo (−62%), automotivo (−55%) e bens de consumo (−26%), setores em que a marca própria do varejista e o algoritmo já decidem pelo cliente.

  • A vantagem de subir: marcas com 7% de vantagem em peso de marca crescem 40% mais rápido; o estudo diz que é causa, o método mostra correlação, mas o número já está pronto para o PowerPoint do board.

A segunda parte do relatório, ainda não publicada, adianta que entre 45% e 55% das compras nas principais categorias já passam por alguma recomendação algorítmica. Em 2025 eram 35%.

A tese é que o algoritmo e o agente de IA premiam satisfação, recompra e busca pelo nome, coisas que marca forte entrega de graça e não quem pagou o maior CPM. O estudo é de uma consultoria de branding da Omnicom, o que não invalida o dado, mas explica o entusiasmo.

DROPPED BY BEUNI

Você é do time do presente de final de ano?

Virou Q4, o presente de fim de ano apareceu na weekly e alguém ganhou uma planilha com 17 abas, 10 fornecedores e preços que já mudaram. A beuni tira isso da sua agenda: kits para colaboradores e clientes, preço garantido pra entregas futuras, armazenamento e entrega no Brasil e em +5 países. Tudo numa plataforma só.

E quem planeja agora, garante o prazo. Acesse o catálogo de fim de ano →

DROP LIKE IT'S HOT

[Para quem tá feliz com views] Mark Ritson diz que a regra do “alcance de um” esqueceu um detalhe: alguém precisa olhar.

[Para quebrar o silo] Nestlé México junta dados de 70+ marcas e usa cliente de KitKat para vender Leite Moça. A taxa de abertura quase dobrou.

[Para quem vai pra China] Alibaba vira o maior anunciante do mundo, com US$ 30,2 bi em 2025, quase o dobro do ano anterior.

CHARGE

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