EDIÇÃO #86 • 18/08/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper!

As notícias de hoje são um convite para repensar o papel das mídias sociais nas marcas: até que ponto vale ir pelo engajamento? Ragebait? Comprar fakes? Postar às 3 da manhã?

No MarketingDrops de hoje…
• Anti-social: nem sempre mídias sociais dão mais resultado;
• Promoção de fake: quanto custa engajamento falso?
• Post-insônia: 3am é o melhor horário pra postar reels;
• Tudo é shorts: Youtube aumenta views mas diminui atenção;


Na seção Campanhas que eu gostaria de ter criado: A C&A resgatou Sebastian, o garoto-propaganda que marcou a história nos anos 90. Ele retorna para celebrar os 50 anos da marca, provando que algumas memórias nunca saem de moda. Aliás, eles já faziam collabs muito antes de virar moda.

MÍDIA

Marketing antissocial

A WARC cruzou 210 cases e achou um furo na estratégia de mídias sociais. O comercial emocional tradicional ainda dá 4x mais resultado.

Seu reels viraliza com 40 milhões de views em três dias. A galera do social comemora, a diretoria pede print pra colocar no slide, alguém já quer "repetir a fórmula". Até que um chato faz a pergunta que ninguém sabe quer responder: "O que a gente ganhou com isso?".

A WARC (World Advertising Research Center) fez uma análise para questionar justamente isso. Eles cruzaram 210 cases publicitários da Ásia, um dos mercados mais engajados em social do mundo, pra entender o que realmente funciona. O resultado foi simples:

→ Se sua marca tem um público de massa, comerciais tradicionais têm quase 4x mais resultado no longo prazo do que social.
→ Se você tem um público nichado, social vira até 2,4x mais efetivo.

A conclusão é que mídia é investimento e todo investimento precisa de diversificação: entre ter alcance e ser lembrado, um bom mix é o melhor caminho - mas a memória de longo prazo costuma ser mais efetiva do que a trend pela trend que todo mundo fez.

DROPPED BY RD STATION

20 prompts de Marketing para gestores

Quanto maior o seu time de Marketing, mais decisões, mais dados, canais e responsabilidades. Fica cada vez mais difícil entender o que está funcionando, onde estão os gargalos e quais oportunidades priorizar.

Pensando nisso, a RD Station criou uma biblioteca gratuita com prompts para transformar a IA no seu copiloto. Dá pra:

  • diagnosticar onde a conversão trava no seu funil;

  • analisar métricas e encontrar oportunidades de melhoria;

  • estruturar estratégias de conteúdo e aquisição.

São 20 prompts estratégicos para ajudar você a usar a IA em desafios reais da gestão de Marketing, da análise à estratégia.

TRENDING

Brand Trip: a propina de influencer

Se a estratégia de social orgânica pode perder pra mídia tradicional, outra saída é a parceria com influencers - seja publi paga ou troca de mimos por exposição. Nesse segundo caso, a OpenAI chamou um punhado de creators e criou o "Summer Camp": treinamento no GPT Work envelopado em retreat com cabana instagramável e jantar farm-to-table.

Resultado: ao custo de transporte, brindes e hospedagens com diárias de ~US$ 2 mil para 30 creators… virou um pesadelo (para a marca). Os vídeos dos influencers eram bonitos, mas os comentários foram um linchamento - tinha até gente perguntando se o preço da diária valia a pena pra vender a alma.

Press trip é coisa de imprensa tradicional: jornalista vai, testa o produto, escreve a matéria (boa ou ruim), volta pra vida normal.

Brand trip corta o filtro editorial e mima os creators para sair bem na fita.

Veja alguns casos:

  • Tarte Cosmetics (2013+): praticamente inventou o formato. Manda influencers pra Dubai, Bali, Turks and Caicos, gastando mais de seis dígitos.

  • Shein (2023): levou seis influenciadoras dos EUA pra "desmistificar" as fábricas em Guangzhou. O público percebeu a forçação de barra.

  • Natura (2025, Salvador): imersão cultural: Pelourinho, bloco afro, show da Liniker. Menos "resort de luxo isolado", mais experiência ligada à identidade da marca, o tipo de escolha que explica por que não teve backlash.

A régua que separa sucesso de crise é sempre a mesma: quanto mais a viagem parecer ostentação desconectada do que a marca representa, maior a chance de virar munição. Quanto mais for uma experiência real, melhor. Se não, a brand vira bad trip.

SOCIAL

Engajamento (fake) tá na promoção

Um estudo mapeou os preços da engajamento falso em 5 redes. Curtida sai por menos que um café. Comentário no Facebook custa mais que uma consultoria.

Às vezes o gramado do vizinho só é mais verde porque alguém pintou - aka, o “engajamento orgânico” só cresceu porque tem PIX comprando o boost. É o que esse estudo mostra - catalogando o preço de like, view, comentário, compartilhamento e seguidor em Facebook, Instagram, TikTok, YouTube e X.

A pesquisa cruzou tabelas de dois sites que vendem engajamento artificial (SocialWick e BuzzVoice) e descobriu que métrica também tem tabela de preço. E dá pra saber, olhando o preço, que métrica barata é realmente métrica barata:

  • View: a mais barata, a menos confiável.

  • Curtida: fica no meio, nem cara nem confiável.

  • Seguidor: barato na maioria das redes, mas caro no YouTube.

  • Compartilhamento: caro – sinal de participação real.

  • Comentário: o mais caro de todos – geralmente o indício mais forte de engajamento verdadeiro.

Na prática, engajamento falso não vira receita. Mesmo assim, o algoritmo massageado pelo volume pode funcionar para alguns planos - e, nesse caso, é melhor assinar o cheque sabendo exatamente o que esperar. Fica também a dica de onde focar para conseguir resultados orgânicos.

DROPPED BY UNCOVER

Você sabe a diferença entre ROI e Incrementalidade? Você já usa incrementalidade?

47% dos profissionais de marketing pretendem aumentar os investimentos em mensuração por meio de Marketing Mix Modeling (MMM) em 2026. Você já está por dentro desse tema?

O MarketingDrops se juntou à Uncover para produzir uma Masterclass gratuita sobre o assunto.

GIRO DE NOTÍCIAS

→ TikTok Shop já representa 2% do varejo digital. Só que 82% dos vendedores dão prejuízo.

→ Threads começou a postar conteúdo em formato de podcast na própria conta oficial. Teremos mais um canal para podcasts?

→ Meta lançou público de exclusão dedicado no Ads, que só tira gente do alcance, nunca inclui. Hora de parar de pagar pra aparecer em feeds indesejados.

→ YouTube testa anúncio em imagem sobreposto ao vídeo horizontal no mobile, aparecendo a cada três minutos.

→ Google lançou endpoint na API do Campaign Manager 360 que devolve dado de campanha em tempo real, sem precisar criar relatório antes.

→ Google Analytics agora deixa configurar janela de atribuição livre: até 90 dias por clique, 30 por view engajada.

MÍDIA

Postar de madrugada é o novo horário nobre

Reels de segunda às 3h da manhã batem 2,1x mais views que os postados às 21h. E ninguém tá dormindo pra aproveitar isso.

Imagina o creator programando o post pra sair no horário mais óbvio do mundo: meio-dia, sexta-feira, só pra descobrir que o algoritmo prefere quem publica de madrugada, meio zumbi, sem ninguém olhando.

A Adobe Express analisou 20.247 Reels de 149 dos maiores criadores do Instagram (via ranking Social Blade) e achou uma bagunça de horários que desmonta o "senso comum" do feed.

🔷 Todo mundo posta no mesmo horário, e isso é ruim pra você. Meio-dia é a hora mais concorrida, sexta-feira é o dia mais disputado.

🔷 Curtida acorda cedo. Reels postados às 6h da manhã levam mais curtidas: 1,7x mais que o horário mais fraco.

🔷 View é madrugador. Segunda-feira é o dia com mais visualizações, o horário campeão é 3h da manhã.

🔷 Fim de semana é terra deserta. Sábado e domingo juntos não passam de um quarto dos posts da semana. Quem quer visibilidade sem concorrência, é aí que devia estar.

Na prática: parar de postar no horário "óbvio" pode ser a jogada. Testar madrugada e início de semana custa zero e mede rápido.

YOUTUBE

Vídeo longo, atenção shorts

Views no YouTube subiram 76% em um ano, e a atenção ficou 37% mais curta.

Vídeo curto = menos tempo para o usuário assistir.
Vídeo longo = mais tempo menos tempo que o usuário realmente assiste.

É exatamente essa ressaca que a Metricool documentou, analisando 799.718 vídeos de 71.177 contas. O estudo cruzou views, duração média, engajamento e receita estimada por post. Quatro números resumem o estrago:

🔷 View engordou, atenção emagreceu. A média de views por vídeo saltou de 3.405 para 5.985 – alta de 76%.
🔷 Tempo assistido caiu 37% - chegando à média de 16 segundos.
🔷 Engajamento foi na mesma. A taxa de interação por view caiu de 2,38% para 1,30% – queda de 45%.
🔷 Anúncio perdeu o timing. Impressões de anúncio por post caíram de 976 para 475, menos da metade. Vídeo mais curto = menos janelas pra encaixar o mid-roll.

O vídeo encurtou junto com a atenção. Mas no meio disso, novos formatos começam a quebrar a regra e conseguir faturar bem - e os mini-dramas seguem sendo o bastião dessa métrica, mas com mais foco em conversão para apps pagos.

DROP LIKE IT'S HOT

[para entender] YouTube muda o Partner Program pela primeira vez desde 2018 e a régua subiu.

[para fofocar] a Time vendia anúncio escondido no markdown que só o bot de IA lê. A Perplexity descobriu, chamou de enganoso e bloqueou.

[para viralizar] X abriu o algoritmo e lançou um painel que mostra o que limita seu alcance. Link externo perde de 50% a 70% de distribuição.

CHARGE

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