EDIÇÃO #98 • 27/10/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper!

No Prêmio “Marketing Drops” da Semana: o Firefox perguntou “O que aconteceu com a internet divertida?” e chamou ícones da internet raiz para relembrar os bons tempos. Do Numa Numa Guy à Annoying Orange, todos lembrando de uma web sem rastreamento, anúncios predatórios e IA por todo lado. O ad, inclusive, foi feito com as pessoas de verdade. Uma vibe meio Weezer 2010 #sdds

No MarketingDrops de hoje:

  • Velozes e Engenhosos. Aceitação de comércio agêntico dobra no Brasil.

  • Hype ou Trend. Um exército de portais zumbis feitos com IA.

  • De Cannes aos cortes. é a vez das marcas usarem cortes para crescer.

  • Briefing de Coca, Budget de Dolly. Quanto marcas gastam com ads.

COMÉRCIO AGÊNTICO

Velozes e Engenhosos

TL;DR: 72% dos brasileiros estão abertos a fazer compras com IA. Nove meses atrás, eram 39%.

Quando a Meta colocou o Muse na prateleira, não faltou gente pra usar… mas faltou limite. A empresa teve até que pedir que a Stripe aumentasse os limites de crédito porque o volume ficou “acima de qualquer expectativa” - até das mais otimistas.

Quem fala isso é o próprio Markito, que também trouxe outra info bem relevante: mais de 25% dos usuários pedem ajuda para achar ofertas e fechar a compra, que já é a função número 1 do agente.

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De um lado: as big techs vendem a ideia de que os agentes vão comprar por você. Anthropic lançou o Claude Duet, a Meta colocou o Muse para negociar no Marketplace e a OpenAI e a SpaceX entraram na mesma festa.

Do outro: resistência também cresce. Grandes bancos dos EUA começaram a restringir agentes dentro das contas dos clientes, a Amazon bloqueou o Muse, Ebay e Target vão pelo mesmo caminho.

Entre a promessa e o freio, os dados desta semana mostram em que pé a corrida está:

🔷 Agentes de IA fizeram 25 bilhões de requisições no Q3, alta de 41,5% no trimestre, segundo a DataDome.

🔷 Os agentes que navegam e agem pelo usuário cresceram 4,7x só em setembro.

🔷 72% dos brasileiros já usaram ou topam usar agentes para comprar, segundo a Global Payments. Só a China (com 86%) está à frente.

🔷 A confiança do brasileiro nesses agentes foi de 3,18 para 3,80 (de 5) em um ano.

🔷 Mesmo assim, o ChatGPT manda só 0,62% do tráfego que o Google manda, segundo uma análise de Marie Haynes com 100 sites.

Por enquanto, apesar do desejo acelerando, o carrinho de compras está com o freio de mão puxado. O clique dos chatbots ainda é migalha, e metade dos brasileiros tem medo de entregar o cartão para um robô.

HYPE OU TREND

Feito para anunciar: MFAs e Arbitragem

Clickbait: atriz famosa perde 35kg e choca (sua região).
Página: a história de um remédio milagroso, 70 links afiliados de PDF, mais anúncio do que conteúdo, banner pulando, matéria quebrada em dez páginas…

Assim são os sites MFA (made for advertising), que vivem de arbitragem: compram anúncios baratos de clickbait sobre temas em alta, levam você até o site e revendem o seu clique mais caro para outros anunciantes. O lucro está na diferença.

Com a IA, montar esse tipo de portal ficou ainda mais fácil. Nesta semana, a DecryptAds encontrou mais de 2.100 sites de receitas gerados por IA - com chef inventado e foto de autor sintética. E quem paga a conta? Até marcas da Fortune 500 anunciam ali.

DADOS

🔷 Segundo a ANA, os anunciantes reduziram o gasto com MFA de 15% para 6,2% do programático entre 2023 e 2024. Quem passou a olhar cortou.

🔷 A NewsGuard contava 49 sites de notícia feitos por IA em 2023. Em julho de 2026, eram cerca de 3.800.

HISTÓRICO

🔷 2003: MFA queria dizer “made for AdSense”, páginas rasas feitas para colher clique nos anúncios do Google.

🔷 2011: o Google muda o algoritmo para punir as “fazendas de conteúdo”. A Demand Media, dona do eHow, perde 40% do tráfego vindo do Google e a ação despenca.

🔷 2026: o Google passa a tratar autor inventado como sinal de site de baixa qualidade.

A GRANDE QUESTÃO

Se qualquer um gera esse conteúdo com IA, esses sites não deveriam sumir já que o próprio chatbot responde tudo? Só que o MFA nunca viveu de quem procura, e sim de quem foi fisgado no feed. Afinal, ninguém acorda querendo ler "10 celebridades irreconhecíveis hoje".

DATA DROPS
55,8%
dos droppers acreditam que os consumidores vão passar MENOS tempo rolando o feed no futuro.

Com base na enquete da última edição.

DROPPED BY ZOHO

O paradoxo da automação manual

Email disparado. Gatilho configurado. Envio no WhatsApp, com lembrete diário na agenda… Se o próximo passo da campanha depende de alguém lembrar, o fluxo já nasceu manual.

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O Zoho Campaigns automatiza a comunicação por email, WhatsApp, SMS e formulários em uma única ferramenta, com a simplicidade e eficiência que você precisa. Modelos prontos, segmentação, editor e a ajuda da Zia, IA nativa da Zoho, pra escrever e sugerir melhorias. Além de integração com as principais ferramentas de CRM.

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CREATOR ECONOMY

De Cannes aos Cortes

TL;DR: 95% dos fãs agem depois de ver um corte. Creators aprenderam isso, agora é a vez das marcas.

Se marca sempre sonhou com Leão em Cannes, creator sonhava com corte viralizando. Mas agora o mercado publicitário também quer um pedaço dessa atenção. Um estudo encomendado pela Wondery (Amazon) concluiu que os cortes viraram o principal lugar onde o público vê os patrocinadores.

🔷 Cortes são a principal porta de entrada para programas de creators. Quase o dobro do boca a boca.

🔷 Depois de ver um corte, 41% comentam com alguém e 37% compartilham com amigos.

🔷 1 em cada 3 acompanha o programa pelos cortes quando não tem tempo. Se a publi só aparece no episódio completo, esse público não a vê.

🔷 24% lembram de ter visto uma marca ou logo em um corte.

🔷 Publis pontuais podem gerar desconfiança: 54% a 59% dos fãs acham que o creator não gostou do produto. Entre a Gen Z, são 59%. Entre Millennials, 54%.

🔷 A repetição muda a percepção. Quando a marca aparece em vários episódios, 71% enxergam uma parceria genuína. Além disso, 70% confiam mais na marca, 68% a percebem como premium e 67% ficam mais propensos a experimentar o produto.

🔷 2 em cada 3 associam a marca ao creator quando encontram o produto na vida real.

Em resumo: os cortes funcionam, mas só mostram o que estava no episódio. Uma marca que aparece uma vez soa como publi forçada e uma que volta toda semana vira parte do programa e acaba indo parar nos cortes também.

Para as marcas, sobram dois caminhos: produzir o próprio conteúdo longo, que é caro e demorado, ou virar presença fixa no programa de quem já grava horas por semana. O Leão continua bonito na estante. Mas quem aparece no feed é o corte.

GIRO DE NOTÍCIAS

→ Mercado Ads lança o Engage+, uma IA que decide os anúncios que você vê no streaming, baseado no seu carrinho de compras. Inspirado diretamente pela Amazon.

→ LinkedIn já permite usar cargo, setor e senioridade para segmentar CTV no DV360 do Google. Por enquanto, só nos EUA.

→ Netflix lança pixel próprio e turbina a API de conversão. O streaming agora quer cobrar por performance.

→ Google testa anúncios no AI Mode usando dados dos apps conectados. O “sem anúncios” durou pouco.

→ Publicis recebe aval da FTC para comprar a LiveRamp por US$ 2,2 bi e promete neutralidade. WPP e Omnicom não acreditaram e já estão saindo.

→ Grupo RBS compra a Imobi e entra no OOH com 15 mil faces e 500 telas digitais.

→ ChatGPT leva os anúncios para mais 26 países e chega a 89. Já são mais de 100 mil anunciantes em oito meses.

→ TikTok e Scanntech se juntam para medir vendas no PDV. No piloto, a Pepsi cresceu dois dígitos.

→ Google Ads deixa varejistas multiplicarem por até 5x o valor de um cliente novo no lance. O bônus fixo ficou para trás.

DROPPED BY BEUNI

O melhor presente de final de ano que você pode dar pro time

Não é um bombom, e muito menos uma planilha de fornecedores que ninguém atualiza desde dezembro passado… É tirar a bomba trabalho do colo deles.

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A beuni assume a operação inteira dos kits, da curadoria ao envio, pro time focar no que importa: transformar presente em resultado. Cliente mais engajado, relacionamento mais forte e uma campanha de fim de ano que entra no relatório, não na lista de pendências.

Poupe o time da planilha este ano. Confira o catálogo de fim de ano →

BUDGET

Briefing de Coca, verba de Dolly

TL;DR: Para cada 10% a mais de receita, gigantes de consumo aumentam a mídia em 11,6%. A maioria das empresas, em 5%.

Todo briefing esconde a mesma frase: "queremos ser a Coca-Cola" (ou Duolingo, para os mais novos), só que investir como a Coca-Cola não é para todos. A WARC foi olhar a planilha e analisou os 25 maiores anunciantes entre 2016 e 2025 pela fatia da receita que vira publicidade. Spoiler: ela está caindo.

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ads-to-sales ratio: se a empresa fatura 100 e investe 5 em mídia, o ratio é 5%. É o termômetro mais simples de quanto uma marca está disposta a pagar para ser vista.

🔷 Os 25 gigantes investem 5,5% da receita em publicidade.
🔷 Os gigantes de consumo (Coca-Cola, P&G, etc) ainda mais: 12,5% da receita.
🔷 As big techs (Alphabet, Meta, Microsoft e Netflix) reduziram de 13% para 7,4%.
🔷 A cada 10% de crescimento em receita, CPG aumenta a mídia em 11,6%. A maioria das outras empresas aumenta 5%. As big techs, 4%.

Como referência, esta é a média do mercado em 2025, segundo levantamento da Schonfeld & Associates com 2.400 empresas abertas dos EUA:

🔷 Média geral: 2,93%
🔷 Serviços: 3,61%
🔷 Transporte, comunicação e utilities: 3,45%
🔷 Indústria: 3,14%
🔷 Finanças e seguros: 2,53%
🔷 Varejo: 2,52%

Quem acompanha a gente há tempo sabe que não recomendamos definir verba como percentual de vendas.

Mas o ad-to-sales serve como primeira régua, para ver se a sua marca está muito fora da curva. E a régua não perdoa: mesmo cortando, os gigantes de consumo ainda investem até quatro vezes a média do mercado. Ser a Coca-Cola não é um briefing… é uma linha no orçamento.

DROP LIKE IT'S HOT

[Para virar creator] Billion Dollar Boy compra a Creator Authority, agência de creators B2B que tem Amazon, Adobe e Mastercard na carteira.

[Para enterrar a concorrência] C6, Ford, Hellmann’s, Sadia e Nescau patrocinam a NBA na ESPN e no Disney+. Nescau é o novato do time.

[Para ser lembrado antes do desconto] Samsung lidera a lembrança espontânea da Black Friday em 2025, veja outras marcas.

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