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EDIÇÃO #88 • 01/09/2026 • THEDROPS.COM.BR |
Bom dia, Dropper!
Esta edição é uma grande inspiração de fora do eixo Rio-São Paulo Ocidente. O mercado ainda olha pouco para referências asiáticas e as notícias desta semana vieram nos lembrar de dar uma passada por lá.
No MarketingDrops de hoje…
• As 3 novas grandes marcas globais
• BiliBili, o YouTube chinês
• China é o segundo país com mais marcas globais
• Aplicativos de micro-dramas já estão cheios de anúncios
Na seção “Campanhas que eu gostaria de ter criado”: a marca coreana de street-and-climbing-wear Tansan Magnesium levou o conceito de perfil de cliente ideal bem a sério, criando uma loja-conceito em que, para entrar, você precisa literalmente escalar. Nada de escada rolante, o negócio é boulder.

BRANDING
Um robô, um banco e um cigarro entraram no bar no ranking
O Kantar BrandZ publicou o ranking das marcas mais valiosas do mundo. Só três novas marcas entraram na lista.

Todo mundo do marketing já sonhou em criar uma marca e vê-la chegando ao top 100 das mais valiosas do mundo, mas aqui o “sonho que se sonha junto” quase nunca é realidade. O valor combinado do ranking subiu 22% e já é necessário valer pelo menos US$ 25,7 bilhões só pra entrar.
Tanto que, em 2026, só três novos nomes chegaram lá! Mas quem são e o que comem as marcas que fizeram o ranking pela primeira vez?
#27 Claude (EUA, US$ 96,6 bi): a estreante mais valiosa dispensa apresentações, com marketing quase 100% B2B e product-led (com 80% da receita vindo de empresas). O crescimento vem de dominar 42% do market share enterprise em coding, não de campanha de massa.
#74 IQOS (Japão, US$ 36,6 bi): em pleno 2026, uma marca ligada ao tabagismo chegar no top 100 é surpreendente, ainda mais porque publicidade é proibida na maior parte do mundo. A estratégia do produto migrou para o ponto de venda, com boutiques que copiam literalmente o design da Apple Store, além de realizar festas exclusivas da marca.
#98 Charles Schwab (EUA, US$ 26,1 bi): a XP dos gringos, só que 30 anos mais velha, aposta alto em marketing educacional, tem biblioteca com milhares de artigos, coaching ao vivo, revista trimestral impressa, canal de mídia próprio (Schwab Network) e até um "Dia Nacional do Investidor" inventado do zero.
Sem verde-e-amarelo
Nenhuma marca brasileira entrou no Top 100, mas Nubank e Granado foram citados como bons exemplos de construção de marca. Brahma e Skol aparecem na lista específica de bebidas alcoólicas.
Enquanto a maioria das empresas briga por fatias da atenção que já existe (e está em falta), 42% do valor das maiores marcas vem justamente do oposto: achar categoria, mercado ou público que ainda não tem dono. Causa ou efeito?


HYPE OU TREND?
BiliBili: o Youtube chinês
Entrei no Bilibili, o “YouTube chinês”, que chegou oficialmente ao Brasil em 19 de agosto… E OLHA NO QUE DEU
A empresa passou anos priorizando comunidade antes de monetização. Acumulou mais de ¥25 bilhões em prejuízos entre 2018 e 2024, até que no ano passado deu lucro pela primeira vez. Agora, com publicidade crescendo perto de 30% ao ano, chegou a hora de olhar para fora e o Brasil entrou na rota.
O que torna o Bilibili diferente?
Danmu: comentários que atravessam o vídeo no momento exato em que foram feitos. É quase assistir ao vídeo junto com uma multidão comentando junto.
DNA ACG: nasceu na cultura de anime, comics e games.
Monetização híbrida: além de publicidade, atua como publisher e tem seus próprios jogos e conteúdos, como o anime The Three-Body Problem; documentários e games como Fate/Grand Order e Azur Lane.
Se você não quer criar mais uma conta em rede social, o MarketingDrops fez o trabalho sujo e conta alguns dos destaques que estão por lá:
Jefferson_artes: um vlogueiro brasileiro que juntou 2.000 seguidores em 4 dias, ensinando gringo a fazer estrogonofe.
MrBeast: o maior YouTuber do mundo já é um grande bilibiler, com 8,8 milhões, mas usa como vitrine para o canal principal.
Luo Xiang: 32,2 milhões de seguidores. É professor de direito penal.
Sim. O maior influenciador do “YouTube chinês” é um professor de direito.
E ai, Hype ou Trend?

BRANDING
Made Brand in China
China já é o segundo país com mais marcas globais. Veja algumas delas.

A lista da BrandZ não reinventa a roda, só coloca em números o que você percebe quando olha ao seu redor: a maioria das marcas globais é dos Estados Unidos (61% do ranking). E, ao olhar sua fatura do cartão de crédito (e seu TikTok), fica fácil entender como a China chegou na segunda colocação (com 13%).
Se um ranking não te convence, a gente traz dois. No Brand Finance Global 500, outro instituto e outra metodologia, o resultado é praticamente o mesmo: os EUA concentram 53,4% do valor total das marcas do ranking, enquanto a China tem 15,1%.
A China é o único país que enfrenta os EUA no ranking das marcas.
🔷 Yili já é a marca de laticínios mais valiosa do mundo desde 2020, quando ultrapassou a francesa Danone. Não foi sorte, porque seis anos depois a distância só cresceu (Yili chegou a US$ 14,5 bi em 2026, contra a Danone patinando na casa dos US$ 8-9 bi).
🔷 Moutai é a marca de destilados mais valiosa do planeta há mais de uma década à frente de Johnnie Walker, Hennessy e Jack Daniel's. A Brand Finance dá US$ 58,4 bi pra ela; o Kantar BrandZ dá US$ 73,6 bi, mas em nenhum ela perde o topo.
🔷 Nongfu Spring é mais sutil. Não é a bebida mais valiosa (a Coca-Cola segue bem à frente, US$ 46,1 bi contra US$ 15,3 bi), mas virou a mais forte do mundo em percepção de marca (BSI 89,8/100, contra a Coca-Cola em segundo).
Na próxima vez que você for fazer benchmarks, que tal olhar o que as marcas estão fazendo por lá também?

TOGETHER WITH UNCOVER
Modelo estatístico virou pauta de marketing
46% dos CMOs entraram em 2026 com a mesma prioridade: saber como priorizar as iniciativas de marketing com maior potencial de impulsionar o crescimento.
A resposta passa por entender (e separar) o que é incremental e o que não mexe o ponteiro.
Diferenciar uma coisa da outra tem nome: Marketing Mix Modeling. E se você ainda não domina o assunto, o MarketingDrops se juntou à Uncover em uma Masterclass gratuita sobre o tema. Acesse aqui →
*Dados: CMOs' Top Challenges & Priorities For 2026, Gartner

GIRO DE NOTÍCIAS
→ YouTube oficializa a Amazon dentro do Shopping Affiliate: criador elegível nos EUA já marca produto Amazon em Shorts, vídeo longo e live.
→ Instagram lança o First Draft: usuário joga os clipes crus, a IA corta pausas e monta o esqueleto do Reel.
→ Discord estreia o Play Quest+: novo formato de campanha em que marcas premiam jogadores por ações dentro do jogo.
→ TikTok Shop atualiza recurso de cadastro em massa de produtos.
→ Instagram testa o "Reply to Keywords": anúncio dispara DM automática pra quem comenta a palavra certa. ManyChat nativo, direto no gerenciador de anúncios.
→ YouTube deixa o usuário criar até 8 feeds por prompt e fixar na Home.
→ X desenterra os Lead Gen Ads novidade do Twitter de 2016: CTA colorido no post, formulário nativo pré-preenchido, sem sair do app.

COMPORTAMENTO
Hora do intervalo: micro-dramas
Downloads de apps de micro-drama crescem 95% e a publicidade segue atrás.

Do BTS ao K-Pop Demon Hunters e às armies no X… 76% dos brasileiros têm interesse por cultura coreana, quase 8 em cada 10 pessoas com algum grau de Hallyu no sangue. E não é só no Brasil: na maioria dos mercados a porta de entrada foi a mesma com os doramas. Mas o modelo consagrado está mudando rápido.
Corta o drama
Como era: os doramas coreanos seguiam o formato tradicional de episódios longos (com até 60 minutos), com produções caras.
Até que: a China entendeu rápido o apelo do formato vertical com os micro-dramas, que têm capítulos curtos (2-5 minutos), produções mais baratas, alta capacidade de escala e monetização via app.
Agora: outros mercados tentam replicar a fórmula, incluindo a Coreia do Sul, os EUA e o Brasil.
ByteDance deu Like: se tem drama, tem micro-drama e, se tem micro, a ByteDance quer uma fatia. A empresa lançou o relatório “K-Culture 4.0”, projetando que o impacto econômico da cultura coreana puxado pelo TikTok vai crescer 30% até 2030.
ByteDance deu Dislike: enquanto o TikTok tenta ser dono da narrativa da K-Culture, os aplicativos dedicados aos micro-dramas tiveram alta de 95,5% nos downloads no primeiro semestre, quase 6 vezes mais que o restante dos apps. Muitos usando e abusando do próprio TikTok para ads e “amostras grátis”.
O top 3 global dos apps de micro-dramas:
FreeReels: líder isolado, com 195,8 milhões de downloads no primeiro semestre de 2026.
NetShort: segundo lugar, com 98,9 milhões.
ReelShort: o terceiro lugar global (94,1 milhões) é um dos mais fortes no Brasil e já tem produção local.
O mercado publicitário já percebeu a demanda, com 132% mais anunciantes e 151% mais anúncios rodando nesses apps no período. Ou seja: o dorama e o c-drama ensinaram a fórmula. O TikTok transformou a ponte em narrativa. E o micro-drama está descobrindo como transformar tudo isso em grana!
PS: o Brasil aparece como o mercado em que o micro-drama mais cresce, com 63% de aumento.

DROP LIKE IT'S HOT
[para ler] os bastidores do TikTok LIVE. a própria rede sai do app e vai de newsletter.
[para alongar] o Instagram quer que você junte a família pra ver um creator te ensinar a se alongar via reels na TV.
[para anunciar] Guia do Google com melhores práticas de anúncio no Youtube.
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