EDIÇÃO #93 • 22/09/2026 • THEDROPS.COM.BR

Bom dia, Dropper!

As notícias de hoje mostram um cenário em que fica cada vez mais difícil construir audiência. As empresas de mídia estão correndo atrás, as marcas deveriam fazer o mesmo.

No MarketingDrops de hoje…

• Meme-stream: YouTube e a formação de cultura;
• Hype ou Trend: mainstream vs bolhas;
• Preço de Mídia: deve desacelerar no ano que vem;
• Crise: publishers e a audiência proprietária.

Na seção “Campanhas que eu NÃO gostaria de ter criado”: a cantora de K-pop Karina usa All-Star desde 2020, se tornou embaixadora local em 2024 e global em junho. Tudo muito bem, tudo muito bom… até que a primeira grande campanha surge com um (trigger warning) recorte tenebroso. Eu não queria estar no time de marketing da Converse esta semana.

COMPORTAMENTO

Boca-a-boca: meme-a-meme

O YouTube diz que o boca a boca ainda bate o feed. O dado que ela mesma publicou diz o contrário.

A long time ago, aqui mesmo nessa galáxia, saber se algo tinha virado mainstream era fácil: apareceu na novela das oito, furou a bolha. Hoje já não é tão simples.

O YouTube publicou o pitch relatório "In Search of Mainstream" com a tese de que a cultura mainstream não morreu, só migrou pra comunidades digitais e quem decide o que "pegou" não é mais TV aberta ou a revista.

Quem manda então?

🔷 46% dizem que é ver algo muito comentado online.
🔷 41% dizem que é ver conteúdo sobre o assunto no YouTube.
🔷 41% dizem que é ver memes e piadas circulando.
🔷 42% dizem que é gente que eles conhecem na vida real falando sobre o assunto.

O argumento central do relatório é simples: o mainstream não morreu. E o principal dado que ele usa para esta argumentação é:

🔷 63% dos jovens de 14 a 29 anos concordam que gostar das mesmas coisas que os outros gostam faz com que se sintam parte de algo maior.

Tá, e daí? A pesquisa traz dados para validar duas teses: primeiro, “estar na moda” ainda é importante para marcas. Segundo, memes e cultura da internet não são distrações: são caminhos para ganhar relevância de marca. Inclusive, 58% dos CMOs já sabem disso.

HYPE OU TREND

Mainstream ou bolha?

Como você acabou de ler, o YouTube diz que houve uma grande mudança sobre quem define o que é moda . Mas essa discussão não cabe num Shorts.

A diferença de proporções:

O recorde de um evento simultâneo no YouTube é da CazéTV e fica perto dos 25 milhões de pessoas. Parece muito, mas isso não é 1% da audiência que viu o funeral da princesa Diana em 1997.

Antes de todo mundo estar conectado 24/7 e de haver a fragmentação total em que qualquer pessoa pode ser um canal de transmissão, jornal, rádio e TV criaram um modelo com milhões de pessoas consumindo o mesmo conteúdo, no mesmo canal, ao mesmo tempo.

Depois da virada digital, temos três teses circulando:

  • Não existe mais monocultura: a internet e os streamings fatiaram de vez a audiência.

  • A monocultura foi intensificada pelo algoritmo: Instagram, Spotify, Netflix, TikTok e etc não fragmentaram nada, só produzem a mesma mesmice, achatada, em escala global.

  • Existem bolhas: cada pessoa vive dentro do próprio universo;

Veja alguns conceitos relacionados:

  • 1979, Dick Hebdige: separa a cultura em principal e oposição (mainstream e underground).

  • 1979, Pierre Bourdieu: argumenta que gosto e cultura são definidos por classes. E a alta define o que é "bom gosto".

  • 2004, Chris Anderson (editor da Wired): cunha a "cauda longa" e a internet permite nichos menores.

  • 2006, Henry Jenkins: argumenta que a linha entre quem produz e quem consome cultura começa a se diluir, não existem mais uma “fonte única”.

  • 2011, Eli Pariser: cunha "bolha de filtro", o algoritmo não só cria nichos, como tranca cada um dentro do seu.

A decisão se uma marca vai trabalhar com uma bolha ou com um mercado amplo é essencial para definir as estratégias. Por exemplo, já vimos que social funciona melhor para marcas de nicho.

DATA DROPS
Na última edição, perguntamos: “A associação entre esportes e marcas veio para ficar ou é uma moda passageira?” Para 85% dos leitores, veio para ficar.

DROPPED BY MEMO

Sua marca está preparada pro teste da Black Friday?

Em 2025, 75% dos e-commerces tiveram falhas na compra. No ReclameAQUI, foram 21,6 mil reclamações. E é por isso que a Black é o teste de estresse que sua marca não pode ignorar.

O Spotlight “Black Friday 2026: o teste da verdade” da MEMO faz um checklist passando pelas cinco dimensões que você deve considerar na hora de se preparar — Ambição, Oferta, Jornada, Orquestração e Prontidão.

Uma leitura estratégica para ajudar os times a identificar riscos, evidências e decisões que precisam ser tomadas pra sua operação prometer, sustentar e entregar.

Acesse o playbook e descubra o que precisa estar pronto antes da pressão de novembro.

MÍDIA

Crescimento sem fim

O mercado global de ads vai crescer 11% em 2026, mas o crescimento deve cair pela metade até 2030.

O preço da mídia paga só sobe, mas nesta semana saiu mais uma análise dizendo que o mercado deve desacelerar a partir do ano que vem - algo raro nos últimos anos. Não é queda absoluta, mas é queda no crescimento: o mercado passa de US$ 1,337 tri este ano (+11%) pra US$ 1,427 tri ano que vem (+7%).

Ou seja: continua subindo, só que mais devagar. Mas calma, porque tem canais que ignoram o apocalipse e seguem crescendo em dois dígitos:

🔷 Social: +17%
🔷 Commerce: +14%
🔷 Busca: +12%

Mídia digital no Brasil ainda é bem mais barata que no resto do mundo. Enquanto o CPM do Meta por aqui roda em US$ 7,67; o CPM global fica em US$ 13,06 - isso é 41% mais barato. Mesmo cobrando menos, o Brasil já é o maior mercado de ads da América Latina, com US$ 21 bi em 2026.

Mídia paga tá ficando mais cara, sim, mas ano que vem (independente de qual seja) vai estar mais cara ainda. Comprar agora ainda compensa. Mas se for investir, que seja para garantir um público no longo prazo.

OPINIÃO
“O erro das marcas é achar que basta ‘produzir conteúdo’. O jogo é pensar como empresa de mídia: ter um canal que as pessoas queiram abrir. Confiança no canal pesa mais que o conteúdo em si.“

Thiago la Torre, Editor de Marketing na TheDrops.com.br

GIRO DE NOTÍCIAS


→ Amazon, Netflix e YouTube fazem lobby para transmitir eventos esportivos.

→ Disney+ põe no contrato que pode mostrar anúncios mesmo nos planos pagos.

→ Meta lança o Meta One: link em post só libera a partir de R$ 199/mês.

→ Meta funde Creator Marketplace e Partnerships Ads Hub num hub só.

→ Nielsen passa a entregar dado de streaming todo dia útil.

→ Pinterest lança Visual Search Ads pra aparecer direto no resultado de busca.

→ Spotify libera programa de monetização de creators no Brasil.

MÍDIA

Leilão pela audiência

Os publishers americanos aumentaram em 274% o investimento em mídia paga em três anos. Parece que conquistar audiência ficou mais caro. E ficou.

Com o tráfego orgânico do Google em queda e os algoritmos cada vez mais disputados, veículos de mídia estão comprando o que antes conquistavam de graça: atenção e audiência.

🔷 US$ 113 milhões em busca paga em julho: +41% em um ano, +274% em três.
🔷 Forbes: US$ 72,2 milhões estimados no mês, 8x mais que há três anos.
🔷 NYT: US$ 11,3 milhões, mais que o dobro em um ano.
🔷 Tráfego orgânico: Forbes (-26,7%), CNN (-28,9%), USA Today (-24,1%).

Além de disputar temas de alto valor comercial, os publishers estão investindo em construir audiência própria.

Se até quem vive de audiência está correndo para conquistar mais público e depender menos do algoritmo, talvez seja hora de pensar menos em leads e vendas e pensar mais em como manter um público engajado no futuro.

DROP LIKE IT'S HOT

[pra ganhar um dindin] A stealth ad é o novo bico: gente comum cria conta secundária só pra postar publi disfarçada e fatura até US$ 6 mil/mês em produto e permuta de marca.

[ninguém sabe ainda] Vídeo curto e cérebro: a ciência tem hipótese de dopamina turbinada, mas nenhuma prova fechada do que o scroll infinito faz a longo prazo.

[pra humanizar] Perplexity contrata humano pra tocar relação com creator, vaga de até US$ 225 mil/ano, portfólio com nomes como Lewis Hamilton e Joe Rogan no currículo.

CHARGE

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